terça-feira, 2 de maio de 2017

segunda-feira, 1 de maio de 2017

ESCORÇO BIOGRÁFICO DE FRANCISCO WALTER LEITE                    TEÓFILO

                                                 Francisco Walter Leite Teófilo nasceu nesta cidade de Fortaleza no dia 1º de setembro de 1940, sendo filho do Engenheiro Agrônomo Mário Parente Teófilo, o qual foi Chefe do Setor de Irrigação, além de Professor da Universidade Federal do Ceará, vindo a falecer prematuramente, um dia antes do aniversário do filho caçula, que iria completar 15 anos, razão por que esse jovem foi compelido a trabalhar a fim de ajudar não apenas no sustento da mãe, de prendas domésticas, mas também de suas irmãs adolescentes, daí se podendo aquilatar o esforço desse moço que se tornou homem, por assim dizer, tão novo, substituindo o seu pranteado extinto como se fora um verdadeiro pai de família.
                                                 O seu primeiro e único emprego foi justamente na UFC, donde a alegria de sua mãe e mestra para com esse filho que substituiu a figura paterna.
                                           Aos 23 anos houve por bem       se casar  com a Srta.  Maria Aparecida      Carvalho,       a qual
introduziu no seu nome de família, o patronímico do esposo. Eu tive o prazer de conviver com o Walter Teófilo por não menos de quatro anos, quando ele era  Secretário do Instituto de Química da UFC, ao tempo em que o meu irmão Antônio Enéas Mendes Bezerra foi Diretor da referida instituição.
Mais tarde foi Prefeito da Universidade, exercendo esse mister com esmero e dedicação em várias administrações, por diversos mandatos, sem falar na Presidência  da Associação dos Servidores da UFC. Caro colega Mário Parente Teófilo Neto, o seu saudoso genitor não apenas se dedicou à Universidade Federal do Ceará, mas acima de tudo à sua família, sem que se possa esquecer a lhaneza para com os colegas da UFC, onde deixou inúmeros amigos, quer entre os Professores, quer com os funcionários mais humildes. Tenho a convicção  que Deus o receberá na Corte celeste e certamente protegerá a sua família hoje e sempre.

ADEMAR MENDES BEZERRA

quarta-feira, 26 de abril de 2017

terça-feira, 25 de abril de 2017

segunda-feira, 24 de abril de 2017

DISCURSO PROFERIDO PELO PROFESSOR E MAGISTRADO ADEMAR MENDES BEZERRA AO ENSEJO DE SUA POSSE NA ACADEMIA SOBRALENSE DE ESTUDOS E LETRAS NA NOITE DO DIA VINTE E SEIS DE JUNHO DO ANO DE DOIS MIL E QUINZE ÀS DEZENOVE E TRINTA HORAS NA SEDE DA ASEL.

EXCELENTÍSSIMAS AUTORIDADES, MEUS FAMILIARES, MINHAS SENHORAS E MEUS SENHORES, DISTINTA ASSISTÊNCIA.

INTROITO. Antes de adentrar o  discurso propriamente dito desejo manifestar sinceros agradecimentos a todos os colegas que me escolheram, permitindo o meu ingresso nesta veneranda Academia Sobralense de Estudos e Letras, particularmente, os meus primos Arnaud e João Barbosa de Paula Pessoa Cavalcante e também os parentes e amigos Tereza Ribeiro Ramos Fonteles, Francisco Antônio Tomaz Ribeiro Ramos e Glória Giovanna de Saboya Mont’Alverne, incluindo o preclaro e conspícuo Professor Doutor José Luís de Araújo Lira, nosso atual Presidente, que teve papel deveras importante para o  meu ingresso neste Silogeu, nascido em Campo Grande, outrora Vila Nova D’El Rei, hoje Guaraciaba do Norte, em cuja terra fui gerado, vindo ao Mundo nesta  auspiciosa cidade de Sobral, na Praça da Independência 404, onde vivi os melhores anos de minha vida.

Neste dia Memorável em que ingresso na Academia Sobralense de Estudos e Letras, em cuja corporação intelectual conviveram as figuras mais notáveis da Cidade de Sobral, quer na antiga Academia Sobralense de Letras, fundada em três de maio de 1922, quanto na sua sucessora, ou seja, a atual Academia Sobralense de Estudos e Letras, tendo como fundadores respectivamente as seguintes personalidades: Padre Leopoldo Fernandes Pinheiro (Presidente), Mons. Fortunato Linhares, Jornalista Craveiro Filho, Doutores Cláudio Nogueira,  Lauro Meneses,   Paulo Aragão, Benjamin Hortêncio, Atualpa Barbosa de Lima, Luiz Viana, Ruy de Almeida Monte e José Clodoveu de Arruda Coelho. Por sua vez em data de sete de setembro de 1943, foi recriada a atual Academia Sobralense de Estudos e Letras - contando com novos acadêmicos de notória idoneidade moral e intelectual a seguir nomeados, de conformidade com os Estatutos da novel Arcádia fundada em 07.09.1943, sucessora da Academia de 1922, tendo como Fundadores: Monsenhor Vicente Martins da Costa, os Padres José Gerardo Ferreira Gomes, José Aloísio Pinto e Gonçalo Eufrásio, Doutores José Clodoveu de Arruda Coelho, Tancredo Halley de Alcântara e João Ribeiro Ramos, Professores Raimundo Aristides Ribeiro, Luiz Jácome Filho e Maurício Mamede Moreira, além dos cidadãos Antônio Joaquim Rodrigues de Almeida, saudoso Tabelião, sucedido por seu filho Edison Luís Rodrigues de Almeida, inclusive nesta Academia e Francisco Ferreira Costa.[1]Presidentes: Monsenhor Vicente Martins, autor de “HOMENS E VULTOS DE SOBRAL”, Dr. José Saboya de Albuquerque notável Magistrado e também político de expressão, Monsenhor José Gerardo Ferreira Gomes e outros luminares da ASEL.
A nossa quase centenária Academia Sobralense de Estudos e Letras foi a primeira a admitir o ingresso de intelectuais do sexo feminino em nosso Estado, bem antes da Academia Brasileira de Letras, na pessoa de D. Dinorá Thomaz Ramos[2], esposa do Dr. João Ribeiro Ramos, cognominado em Sobral de médico dos pobres não obstante farmacêutico, além de jornalista de escol, Professor e Diretor da tradicional Escola de Comércio D. José Tupinambá da Frota, e Imortal das Academias Sobralense e Cearense de Letras, sem falar na de Farmácia, como era de se esperar.
Dona Dinorá além de ter substituído na Diretoria do Educandário São José, D. Honorina Passos, foi igualmente Diretora do Ginásio São José, ambas as Instituições situadas na Praça da Independência, mais conhecida como Praça de São Francisco, em cujo logradouro nasci na Casa dos tios Potiguara e Fransquinha, precisamente no dia 23 de abril de 1943, sendo batizado pelo então Padre José Gerardo Ferreira Gomes, duplamente primo de meus avós maternos: (Antônio Enéas Pereira Mendes e Regina Saboya de Aragão Mendes), de quem fui aluno no Colégio Sobralense.

Dona Honorina irmã do Monsenhor Olavo Passos, nascidos na aprazível cidade de Viçosa do Ceará, terra do General Tibúrcio e de Clóvis Beviláqua, o primeiro um dos heróis da Batalha de Tuiuti e o último, autor do Projeto do Código Civil e Catedrático da Faculdade do Recife e mais tarde Membro da Academia Brasileira de Letras, os quais estudaram nesta aprazível cidade de Sobral, cumprindo destacar os notáveis conterrâneos Jerônimo Martiniano Figueira de Melo[3] e José Antônio Pereira Ibiapina[4], frise-se os únicos cearenses que colaram o grau de bacharel naPrimeira Turma da Academia de Olinda no ano de 1832, os quais foram inquestionavelmente figuras notáveis de nossa História, conforme registrado nas notas de rodapé. 
      Dona Dinorá já depois de avó resolveu ingressar na hoje mais que Centenária Faculdade de Direito, bacharelando-se com distinção. Sobrinha legítima do Príncipe dos Poetas Cearenses, Padre Antônio Thomaz[5], houve por bem de catalogar os sonetos do tio, muitos deles escritos e ditados de cor, em obediência à determinação do Poeta, que proibira a publicação dos seus magníficos sonetos, donde o trabalho hercúleo, os quais certamente teriam sido incluídos entre os melhores sonetos da Língua Portuguesa, selecionados por Dona Carolina Wilhelma Michaëlis de Vasconcelos, natural de Berlim, então sob o Reino da Prússia, que se radicou em Portugal e se tornou escritora, crítica literária e Professora da notável Universidade de Coimbra, daí o seu encanto pela poesia lusitana.
José Sombra Filho Patrono da Cadeira nº 01 desta Academia Sobralense de Letras, da qual estou tomando posse, se destacou no Liceu do Ceará, quer como aluno, quanto no Magistério, sobretudo nas matérias lingüísticas e filosóficas, a par de sócio fundador da então “Sociedade Iracema Literária”. Não obstante ter se Bacharelado em Direito com louvor dada a sua formação intelectual, não quis abraçar a Advocacia, e muito menos a Magistratura, uma vez que desde os bancos escolares optou pela atividade acadêmica, daí o seu prestígio nessa área.
O Doutor José Sombra nasceu nacidade de Viena, a essa época Capital do Império Austríaco, justamente no dia 21 março de 1883, em cujo País, se achavam os seus genitores, Doutor José Correia Sombra e Dona Luisa da Cunha Sombra, em viagem de trabalho - daí a naturalidade brasileira. O Casal em alusão era originário da aprazível cidade de Maranguape[6], integrando ainda hoje a microrregião de Fortaleza.
Com o falecimento de seu pai, teve como preceptor, o Barão Guilherme Studart, médico, historiador e erudito homem de letras, o qual certamente contribuiu para a excelente formação cívica e intelectual do futuro literato, herdada também de seu progenitor, ilustrado esculápio especializado em Ginecologia, haja vista a sua tese nessa área e também versado nas letras. José Sombra segundo os biógrafos possuía o dom da oratória, tendo sido o “autor do Discurso proferido na Sessão Comemorativa da Fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil realizada no Liceu Cearense, justamente no dia 11 de Agosto de 1905, publicado na Tipografia Minerva do Ceará, como representante da classe acadêmica”.

Vítima de um abalroamento de veículos nas imediações do então Pavilhão Atlântico, localizado nas proximidades da Ponte Metálica, também conhecida como Ponte dos Ingleses, veio a óbito no dia vinte e um de abril de 1932. “A sociedade fortalezense de então foi presa de dor e de espanto com a trágica notícia, tanto que seu funeral foi verdadeiramente apoteótico”.[7] 
Da supracitada fonte, ou seja, do Jornalzinho do Bairro Parque Araxá –  JPA de janeiro de 2012, extrai o que  sobre ele (José Sombra) escreveu Antônio Sales, a figura mais expressiva da Padaria Espiritual: “Raras Vezes uma vida se havia apagado, no Ceará, assim tão eloqüentemente ungida pela unanimidade da mágoa”[8].
Em consonância com os Estatutos de nossas Academias de Letras, cumpre ao empossando registrar o Patrono e o último ocupante, podendo se o desejar, fazer referência àqueles saudosos colegas que o antecederam na Cátedra, o que façona pessoa do Dr. Joaquim Adauto de Araújo, cujo centenário foi comemorado por seus familiares, com o lançamento de sua biografia, escrita pelo seu filho, Professor Doutor Francisco Regis Frota Araújo, ocorrida no Ideal Clube de nossa Capital, no dia 28 de maio de 2015, com a presença da Família e dos amigos, sem falar na Colônia Sobralense.
O saudoso Mestre Evaristo Linhares Lima, Professor Titular de nossa Universidade, da qual foi Vice-Reitor e também Presidente desta venerável Academia Sobralense de Estudos e Letras nasceu em Santa Quitéria, cujo rincão tem estreita relação com Sobral, por força de já ter integrado o nosso Município, sem que possamos olvidar os laços familiares que temos com o nosso vizinho parceiro, haja vista as propriedades que margeiam o Rio Jacurutu, afluente do Acaraú, então pertencentes ao português João Pinto de Mesquita,  casado com dona Teresa de Oliveira Magalhães, irmã do sergipano Antônio Rodrigues Magalhães, esposo de dona Quitéria Marques de Jesus nascida no Siupé, distrito de São Gonçalo do Amarante, também chamada de Anacetaba, proprietários da Fazenda Caiçara, berço da civilização sobralense. A filha única do patriarca João Pinto de Mesquita casa-se com Vicente Alves da Fonseca, natural de Quixeramobim, tio legítimo de D. Guidinha do Poço[9] o qual se torna sogro de Francisco de Paula Pessoa, conhecido pela antonomásia de Senador dos Bois, irmão de Pessoa Anta um dos heróis da Confederação do Equador, sem falar no prestígio que esse ramo familiar ainda hoje desfruta, naantiga Fidelíssima Cidade Januária da Ribeira do Acaraú, de há muito a heráldica Cidade de Sobral.
Evaristo fez o primário em Santa Quitéria e o ginasial no Liceu do Ceará, ingressando no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza, bacharelando-se em Filosofiana UECE e em Direito na UFC, concluindo sete cursos de Pós-Graduação, donde se pode inferir a sua vocação pelas letras, haja vista a sua larga experiência na área educacional, tendo exercido não menos de trinta e três cargos, destacando-se: Inspetor de Ensino no então Ministério de Educação e Cultura, Coordenador da Campanha de Aperfeiçoamento do Magistério do Ceará, Professor da Faculdade Católica de Filosofia do Ceará, Assessor do Departamento de Planejamento da Secretaria de Ensino Superior do MEC na Capital Federal, além de vários outros.
Graças ao seu descortino, proficiência e zelo, foi guindado à Vice-Reitoria da Universidade Vale do Acaraú e também à Academia Sobralense de Estudos e Letras, tendo participado de diversos cursos, seminários e congressos em suas viagens culturais, quer no Brasil, quanto no exterior, tendo conhecido diversos países da América do Sul, os Estados Unidos e a Europa, daí se podendo aquilatar o seu amor pelas letras, levando nossa Academia a escolhê-lo para integrar os seus quadros, vindo mais tarde a presidi-la. Deixou uma brilhante família no seu consórcio com dona Nilsa Brígido Linhares, ocorrido a 29 de março de 1949, nesta Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção,[10] ao que tudo indica descendente do notável Jornalista João Brígido dos Santos, Político (Deputado e Senador Estadual), Historiador, Professor do Liceu, fundador do Jornal Unitário e autor do notável livro “Ceará Homens e Fatos”.
Finalizando esta minha oração, quero assumir perante os colegas de Academia, Professores e Estudantes, enfim a todos os sobralenses de nascimento, quanto daqueles que adotaram esta Cidade como sua e engrandeceram-na com o seu trabalho, (esta terra querida de D. José Tupinambá da Frota e de tantos outros), que farei tudo o que estiver ao meu alcance, para cada vez mais enaltecer a Academia Sobralense de Estudos e Letras, além de pugnar pela Grandeza desta Heráldica Cidade de Sobral, já reconhecida aqui e alhures, haja vista as políticas públicas implementadas nesta urbe, as quais foram acolhidas pelo Ministério da Educação, diante da notoriedade e reconhecimento, inclusive de Organizações Internacionais.[11]

                    MUITO OBRIGADO.

[1]Genitor do saudoso Lustosa da Costa, exímio jornalista nascido na Paraíba e sobralense de coração, o qual foi homenageado pelo então prefeito Cid Ferreira Gomes, dando o seu nome ainda em vida, à Biblioteca Municipal de Sobral. 
[2]Clóvis Beviláqua fez tudo o que estava ao seu alcance para que fosse admitida intelectual feminina, uma vez que sua esposa, D. Amélia, preenchia todos os requisitos, mas por ser mulher, foi recusada por força estatutária, uma vez que a Academia Brasileira de Letras, seguidora da Academia Francesa, não permitia o ingresso de escritora. Anos depois foi afastado o tacanho entendimento, vindo a ser eleita para a ABL, a escritora cearense Rachel de Queiroz, por sinal descendente do casal Gabriel Augeri e Maria Magdalena Bocardi, precisamente do Padre Domingos Carlos de Saboya, trisavô da extraordinária escritora.
[3]Recusou o Baronato de Sobral, tendo sido o primeiro cearense a receber a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, a mais elevada Condecoração do Império do Brasil, Cavaleiro da Ordem da Rosa, sem falar na dignidade de Fidalgo e Cavaleiro da Casa Imperial, tendo sido Deputado e Senador do Império, Presidente das Províncias do Maranhão e do Rio Grande do Sul,  além de Ministro do Supremo Tribunal de Justiça.
[4]Celso Mariz, político, escritor e jornalista da Paraíba, cognominou o Padre Doutor José Antônio Pereira Ibiapina de Apóstolo do Nordeste, o qual se acha em processo de beatificação iniciada há vários anos através do Monsenhor Francisco Sadoc de Araújo, fundador da Universidade Vale do Acaraú - UVA e seu primeiro Reitor, além de Membro das Academias Cearense e Sobralense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico do Ceará, a par de Historiador e autor da Cronologia Sobralense, obra de vulto composta de cinco volumes e de várias outras.
[5]O Padre Antônio Thomaz foi eleito o Príncipe dos Poetas Cearenses, em uma Eleição promovida pelo Jornal O POVO, encabeçada por Demócrito Rocha, reinando de 1925 a 1941. Até então os seus sonetos sequer tinham sido publicados.
[6]Apud Home – Fato Histórico – Acervo de Abelardo Montenegro- Fortaleza -  Cronologia Ilustrada de    Fortaleza.
[7]Extraído do pasquim do Bairro Parque Araxá - JPA de janeiro de 2012, postado por Juracy Mendonça.
[8]Idem, ibidem.
[9]Romance do escritor cearense Oliveira Paiva, cuja obra trata justamente do assassinato do marido de dona Guidinha, a mando dela.
[10] Do enlace nasceram: Julius Cícero, Thália Maria, Cyntia Maria, Ana Lídia, José Guilherme, Patrícia Helena, Nilsa e Sandra Linhares, além de Evaristo Linhares Lima Filho. D Nilsa faleceu no dia dois de 11.2012 e o Professor Evaristo Linhares Lima aos 26 dias do mês de abril de 2014.
 [11]]  Notícias extraídas da Internet via Google, no dia 23.06.2015.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

DISCURSO DO PROFESSOR ADEMAR MENDES BEZERRA POR OCASIÃO DE SEU INGRESSO NA ACADEMIA CEARENSE DE RETÓRICA. 10.06.2016.

                                      Digníssimas Autoridades Civis, Militares e Eclesiásticas - Senhoras e Senhores que integram este Silogeu e demais confrades de nossas Academias - Senhoras e Senhores Magistrados (as) e Membros do Ministério Público - Senhoras e Senhores Advogados e integrantes da Defensoria Pública - Meus Familiares: Angélica, Ademar JR, Paulinha e os menininhos Victor e Hugo, Flávia Regina e Mateus, pais do meu netinho Bernardo; não podendo olvidar a primogênita – Valéria e Rodrigo, cujo casal nos brindou com as meninas Mariana e Maria Clara, ambas nascidas em Belo Horizonte.                     
                                                    Distinta Assistência.
                                            Excelentíssimo Senhor Doutor Maurício Cabral Benevides, DD Presidente da Academia Cearense de Retórica, fundada em 17 de abril de 1979, a qual vem de completar neste ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o trigésimo sétimo aniversário de profícua existência, tendo como Primeiro Presidente o saudoso Jurista, Doutor Itamar Santiago Espíndola (31.05.1979 a 31.01.1983) – Dr. Maurício Benevides (01.04.1983 a 31.07.1985). A partir de (01.08.1985 a 31.01.1994), esta Academia foi dirigida pelo saudoso Dr. Osmundo Pontes, nascido em Massapê e ilustre Magistrado Trabalhista. O conspícuo esculápio Dr. Maurício Cabral Benevides tornou a dirigir este Sodalício desde 01.02.1994 até os nossos dias, donde o respeito e o apreço que desfruta de seus companheiros e Servidores desta Academia além de amante da Música Popular e Erudita.
         Excelentíssimo Senhor Doutor Carlos Mauro Cabral Benevides que, além de ter feito a minha indicação para esta quase quarentenária Academia, me brindou com a sua eloqüente retórica, já conhecida aqui e alhures, o qual a meu sentir, sem menoscabo dos demais, foi até agora o mais brilhante político cearense na esfera Legislativa, haja vista a sua carreira parlamentar: Vereador à Câmara Municipal de Fortaleza; Deputado Estadual várias vezes e Presidente de nossa Assembléia Legislativa; Senador da República e Presidente do Congresso Nacional, vindo nessa qualidade ocupar a Presidência da República interinamente e mais tarde brilhante Deputado Federal, e não raras vezes indicado para representar a Presidência da Câmara dos Deputados, o que aconteceu para gáudio do nosso TRE, por ocasião dos oitenta anos da Justiça Eleitoral, da qual participei na qualidade de Presidente do colendo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará, por sinal muito concorrida, contando com a presença do Cardeal Emérito de Brasília Dom José Freire Falcão, nascido no município de Ererê no Ceará, na Região Jaguaribana, hoje com mais de noventa anos. O Deputado Mauro Benevides foi Presidente do Banco do Nordeste do Brasil nos anos de 1985-1986 e Diretor do BANESPA.  A Assembléia Legislativa do Ceará homenageou o Deputado Mauro Benevides, de cuja Instituição foi Presidente, pelos sessenta anos de profícua atividade na Política do Ceará e por que não dizer do Brasil, precisamente no dia 19.05.2016, contando com as figuras mais representativas, quer da cidade de Fortaleza quanto do Estado do Ceará.          
         Mui digna e conspícua Assistência.
         Antes de adentrar o discurso propriamente dito, não posso deixar de reverenciar, quer como Católico, quer como Professor da UVA e da URCA, quanto da Centenária Faculdade de Direito, seja na qualidade de líder estudantil, e anos depois como Professor durante mais de um quarto de século, e integrante do Centro Estudantal Sobralense, e também da UFC, representando o Corpo discente no Conselho Departamental e Vice-Presidente do Diretório da Faculdade de Filosofia da Princesa do Norte, da qual fui o orador da Turma  e aluno da FAFICE, sem falar na Câmara JR de Sobral, filiada à JUNIOR CHAMBER INTERNATIONAL – JCI, de cuja Instituição fui Diretor e mais tarde Presidente, na heráldica cidade de Sobral, da qual D. José Tupinambá da Frota foi figura pinacular, razão pela qual chamo à colação o Patrono desta Cadeira, D Manuel da Silva Gomes e o seu primeiro titular, o saudoso Monsenhor André Viana Camurça.
         Dom Manoel da Silva Gomes nasceu na  notável e auspiciosa cidade de São Salvador, Capital da então Província da Bahia de Todos os Santos, no dia 14 de março 1874, sob o Império do Brasil, tendo como Monarca Dom Pedro II.
           Ingressou no Seminário Diocesano de sua terra natal, ainda muito jovem, obtendo o prebisterato na Capital do Estado no dia 15 de novembro de 1896, precisamente aos 22 anos de idade.
                                                   De conformidade com os seus biógrafos foi agraciado com o título de Cônego do Cabido da Bahia, entre outras razões, graças à sua notável oratória. Com a transferência de D. Manuel Antônio de Oliveira Lopes para a Diocese de Maceió, D. Manuel Gomes o substituiu como Bispo-Auxiliar de D. Joaquim José Vieira, da Diocese do Ceará, precisamente no dia 11 de abril de 1911, tendo sido nomeado Bispo - Titular de Mopsuéstia, cuja cidade fica nas imediações de Antioquia, de há muito incorporada pela Turquia, juntamente com D. Miguel de Lima Valverde, depois Arcebispo de Olinda e Recife, onde recebeu a ordenação episcopal das mãos de Dom Jerônimo Thomé da Silva e primaz do Brasil, este nascido na cidade de Sobral, o qual se doutorou “em Filosofia (1869) e em Teologia (1873) pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma”, tendo também nesta urbe se ordenado sacerdote.
             D. Manuel assumiu a Diocese do Ceará, em decorrência da renúncia de Dom Joaquim, no dia 8 de dezembro de 1912, data consagrada a Nossa Senhora da Conceição. Logo nos primeiros anos de seu episcopado, deparou-se com a seca de 1915, sendo forçado a peregrinar até o Sul do País, a fim de buscar auxílio, dos Poderes Públicos, e de seus colegas Bispos, máxime das Dioceses mais abastadas. Esta catástrofe foi descrita pela novel escritora cearense Rachel de Queiroz na Fazenda “Meu Cantinho”, localizada na então cidade de Campo Maior de Quixeramobim. (Obra pinacular da jovem escritora cearense, no notável romance “O Quinze”, repita-se, talvez a sua obra prima.
                                                Dom Manuel ao tempo do Sumo Pontífice Bento XV obteve a criação das Dioceses do Crato e de Sobral, respectivamente, a 20 de outubro de 1914 e 10 de novembro de 1915, as quais tiveram como Pastores D. Quintino Rodrigues de Oliveira Silva, nascido em Quixeramobim, a 31 outubro de 1863 e D. José Tupinambá da Frota, natural de Sobral a 10 de setembro de 1882 e mais tarde a Diocese de Limoeiro do Norte, na data de 07.05.1938, tendo como primeiro bispo, Dom Aureliano Matos, o qual foi por ele consagrado. Com a instalação das primeiras dioceses já referidas pelo Papa Bento XV, o Estado do Ceará foi elevado à categoria de Arquidiocese Metropolitana e D. Manuel da Silva Gomes, o primeiro Arcebispo de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, precisamente na data de dez de novembro de 1915. Aos dezesseis dias do mês de março de 1923, em regozijo dos serviços prestados à Igreja, Sua Santidade o Papa Pio XI houve por bem nomeá-lo assistente ao sólio pontifício e lhe outorgou o título de Conde. 
       Dom Manuel da Silva Gomes, a meu sentir, não foi apenas um Bispo voltado exclusivamente para a Igreja Católica em si - a bem da verdade se houve como um extraordinário governante de seu Arcebispado, haja vista as suas inúmeras realizações objetivando sempre o engrandecimento econômico e cultural de sua Arquidiocese, quanto de seu povo, em sua grande maioria muito pobre, senão vejamos:
         Fundou o Círculo de Operários Católicos. Criou o Colégio Cearense, no mês de janeiro de 1913, tendo como colaboradores os Padres Misael Gomes, Climério Chaves e José Quinderé (Mons. Quinderé), cuja Instituição de Ensino foi reconhecida como uma das melhores Escolas do Ceará e qualificada “como uma das mais belas páginas do ensino particular de Fortaleza”. D. Manuel convocou os Irmãos Maristas a fim de dirigirem o primeiro estabelecimento de rapazes nesta Capital, tendo sido “registrado em seus arquivos a passagem de nomes que fizeram história na vida pública, econômica e social do Estado do Ceará” e da política. Lamentavelmente extinto, no dia 31.12.2007, com quase cem anos de profícua existência, deixando saudade à nossa juventude. (Apud “O MARISTA, POSTADO no “fortalezanobre.com.br” Colégio Cearense Sagrado Coração – O Marista), datado de 24.03.2010.
         Convocou para a sua Diocese inúmeros Institutos religiosos sediados em nossa Capital, a saber: Jesuítas, Franciscanos, Salesianos, Sacramentinos, Irmãs do bom Pastor, Dorotéias, Carmelitas, Ordem Terceira dos Capuchinhos, Filhas de Santana, Irmãs do Amparo, Ursulinas, Missionárias de Jesus Crucificado, sem falar na fundação do Jornal “O Nordeste”, não se podendo olvidar também a criação de um estabelecimento bancário, denominado de Banco Popular de Fortaleza, tendo iniciado a construção da nova Catedral, com a pedra fundamental aposta no dia 15 de agosto de 1938, sendo demolidas duas Igrejas muito antigas uma edificada no Século XVIII e a outra no Século XIX, a fim de evitar um desastre em decorrência de desabamento do teto e das paredes. (Publicada no sítio da www.arquidiocesedefortaleza.org.br) e também pela Wikipédia.
       Em razão de seu estado de saúde, houve por bem renunciar à chefia da Arquidiocese em 1941, para residir na sua cidade natal, ou seja, Salvador. Em 1943 resolveu tornar a residir nesta Cidade de Fortaleza, na Avenida do Imperador.
       Dois anos após do seu retorno a esta Capital que tanto amou, ou seja, em 1945, foi acometido de tenaz enfermidade que o prostrou no leito durante cinco anos, tendo Nosso Senhor Jesus Cristo o chamado para a Corte Celeste, no dia 14 de março de 1950, justamente na data em que ele completava setenta e seis anos, tendo sido sepultado na Catedral Metropolitana, com Pompa fúnebre, deveras concorrido, daí o respeito e admiração que a população de Fortaleza o devotava, sem que se possa esquecer as demais Paróquias da Capital quanto do Interior. (Apud arquivo Diocesano).
       O Monsenhor André Viana Camurça veio ao mundo nesta cidade de Fortaleza precisamente no dia 11 de abril de 1913, filho do casal José de Araújo Camurça e Lídia Viana Camurça, a qual era deveras devotada à Eucaristia, e à “Santíssima Virgem Maria”, onde influenciou na decisão de sua vocação, além do seu padrinho de crisma, Monsenhor José Barbosa Magalhães, e o seu diretor espiritual Padre Josefino Cabral”. Mons. Camurça foi batizado e recebeu a sua primeira comunhão, respectivamente, nos dias 03.05.1914 e  31.05.1923, na então Igreja do Coração de Jesus, este último sacramento oficiado pelo Cônego Climério Chaves, em cujo local foi erguida uma outra, em decorrência do desabamento da primeira, na mesma Praça, onde dias antes fora realizado um concerto sob a regência do notável e saudoso Maestro Eleazar de Carvalho. (Este nascido em Iguatu no Ceará, além de ter sido Professor do Maestro Zubin Mehta).                                      
     Fez o curso primário na casa paterna e também na Escola da Professora Araci Franklin, assim como na de Dona Odete Nascimento, quanto no Colégio Cearense, do Sagrado Coração de Jesus, tendo cursado o ginasial no Colégio Castelo e também no Seminário Diocesano da Prainha. 
     Teve a oportunidade de participar de diversos cursos, a saber: TWY e Relações Humanas pelo CEPRON; Técnico de Supervisão pelo CETRECE; Teologia do Desenvolvimento através do Instituto Bronklings, em Washington, nos Estado Unidos; Administração Escolar na Universidade de  San Diego na Califórnia e por último o Curso de Administração Hospitalar na Associação dos Hospitais do Ceará – AHECE.
     Visitou inúmeros países da Europa, bem como da América e da Ásia. Dentre esses, podemos destacar a Alemanha, Argentina, Áustria, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Finlândia, China, Inglaterra, Itália, Israel, Mônaco, Paraguai, Porto Rico e também Portugal.
     Ordenou-se sacerdote no Seminário da Prainha, precisamente no dia 08.12.1935, data da Imaculada Conceição, pelas sábias palavras consacratórias do Primeiro Arcebispo de Fortaleza, Dom Manoel da Silva Gomes, do qual Mantinha como uma de suas virtudes o seu ensinamento: “Ninguém pode ser um bom padre, sem amor à Eucaristia e à Maria Santíssima”.
     O seu primeiro vicariato se deu na Paróquia de Maranguape em 1936. Pouco tempo depois, ocupou o cargo de auxiliar da Secretaria do Arcebispado, quanto do Curato do Mucuripe nos anos de 1937-1938, além de Capelão do Ginásio de N S de Lourdes (1939) tendo sido Secretário do Arcebispo nos anos de 1939 a 1960, exercendo  a função de Pró-Vigário Geral, durante os exercícios de 1961 a 1973, além de tantas outras atividades, entre as quais a direção do jornal católico “O Nordeste” no ano de 1962 e diversas outras relevantes funções, inclusive como exímio Professor nas Escolas Católicas, no Liceu do Ceará e na Escola Normal (Justiniano de Serpa), sem falar na Promotoria da Justiça do Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese de Fortaleza, Diretor do Hospital Cura D’Ars, Secretário de Educação do nosso Estado, sócio efetivo da Associação Cearense de Imprensa, Cons. da CNEC e Conselheiro de Honra da Academia de Hagiologia, tendo recebido as seguintes condecorações: Medalha da Abolição - Medalha Justiniano de Serpa - Medalha do Educador – Medalha Gonçalves Dias – Medalha do Pacificador – Medalha Torre de Davi – Medalha Honra ao Mérito da CNEC; Placas Amigo dos Capitães da Policia Militar do Ceará e Amigo da Polícia Militar do Ceará e o Troféu Sereia de Ouro do Sistema Verdes Mares (2007), onde são agraciados os cearenses que se destacaram no Brasil e no Exterior e último titular desta Academia Cearense de Retórica, da qual estou sendo investido à unanimidade pelos preclaros e conspícuos Acadêmicos.
    O Monsenhor André Viana Camurça faleceu da vida presente de doença que Deus lhe deu, no dia 17 de fevereiro de 2013, nesta Capital, em decorrência de falência múltipla de órgãos, aos 98 anos de idade, sendo até então o sacerdote mais idoso desta Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. Todos os jornais, Rádios e televisão e repórteres de nossa Capital publicaram o infausto acontecimento, daí se podendo aquilatar o prestígio de que desfrutava o pranteado extinto, seja na Capital Alencarina, assim como nas Paróquias de Fortaleza, quanto das adjacentes, inclusive no Jornalzinho da Igreja de Santo Afonso, também chamada de Igreja Redonda, na Parquelândia. 
     Senhoras e Senhores integrantes desta notável Academia Cearense de Retórica. Uma vez prestadas as homenagens ao Patrono desta Cadeira, ou seja, de Dom Manuel da Silva Gomes, quanto do seu primeiro ocupante, Monsenhor André Viana Camurça, ambos notáveis figuras da Arquidiocese de Fortaleza, além de ilustrados Rhetores, hei por bem falar resumidamente da Retórica, no seu nascedouro, ou seja na Grécia, incorporada muito tempo depois com júbilo pelos notáveis de Roma.
      Desde a Grécia antiga e mais tarde em Roma, a Retórica foi reconhecida como a arte de falar em público, cumprindo destacar entre os amantes da oratória, figuras notabilíssimas, a exemplo de Aristóteles, Platão, Demóstenes, Cícero, Quintiliano e tanto outros, com o propósito de informar, de influenciar, além de entreter os ouvintes, daí o prestígio dos oradores, seja da antiguidade, seja da Roma Cristã, a partir do inolvidável Apóstolo Paulo, notável orador, haja vista as suas extraordinárias epístolas, sem que possamos afastar os demais oradores cristãos, do oriente, do ocidente e, entre nós, o Padre Antônio Vieira, exímio orador, que nos legou os seus brilhantes Sermões, o qual esteve em Viçosa do Ceará, onde rezou missa.                                                                                                           
     Voltando a falar de tantos outros brilhantes Sacerdotes, incluindo-se os grandes tribunos da Reforma, o que vem acontecendo em nossos dias, haja vista a Igreja Anglicana, os Pastores Norte Americanos, bem assim da Europa, quanto da América do Sul, particularmente no Brasil - muito deles integrantes do Congresso Nacional, quanto das Assembléias Legislativas e obviamente das Câmaras Municipais.
     Já li há muito tempo que São Paulo, o mais notável dos apóstolos de Jesus Cristo, a meu sentir, teria conseguido convencer São Pedro de ir para Roma, sob pena da novel Igreja de Jesus Cristo ser mais uma seita judaica.                                                                                                                                                A Retórica, na lúcida visão do preclaro e conspícuo Professor Antônio Casparetto Júnior, é a arte ou a “técnica de uso da linguagem para se expressar bem e persuasivamente”. Consoante o autor sob comento, a retórica teria nascido no século V aC, precisamente na Sicília e mais tarde introduzida em Atenas por intermédio do sofista Gorgias. O autor em alusão observa que a arte de falar passou a ter muito prestígio quer entre os políticos, quer nos meios judiciais, inclusive nas audiências pertinentes aos mais variados assuntos, assim como nas mais diversas questões, inclusive nas de natureza particular.
       De acordo com a mesma fonte, “foram os sofistas que fizeram o primeiro estudo de que se tem registro sobre o poder da linguagem, considerando sua capacidade de persuasão”. (Idem, ibidem - Enciclopédia Wikipedia.
      Aristóteles escreveu “um livro no qual sistematizava o estudo da Retórica e a definia como importante elemento para a Filosofia. Colocava a Retórica no mesmo patamar da lógica e da dialética”. (Idem, ibidem). De conformidade com a mesma fonte, onde se tratou da Retórica versus oratória, observou o autor em tela, que “após a ascensão romana, a oratória se tornou a tradução latina da Retórica. Com o tempo a formulação grega ganhou complexidade. Aristóteles escreveu um livro no qual sistematizava o estudo da Retórica e a definia como importante elemento para a Filosofia. Para o filósofo sob comento, a Retórica estava no mesmo patamar da lógica quanto da dialética. 
      Empédocles 444 antes de Cristo foi o primeiro filósofo a sistematizar o estudo da linguagem, aplicando a persuasão advinda de seu saber, cujas teorias serviram de base ao conhecimento humano, as quais iriam ajudar  o caminho dos teorizadores da retórica. De conformidade com o Professor Casparetto “ O primeiro livro de retórica escrito é comumente atribuído a Corax e seu pupilo Tísias.” A sua obra, bem como as de diversos retóricos da antiguidade, surgiram das tribunas jurídicas; Tísias, por exemplo, é tido como autor de diversas defesas jurídicas realizadas por outras personalidades gregas (uma das funções primárias de um sofista).  De conformidade com o Prof. sob comento, os que mais se notabilizaram e cognominados de Sofistas, foram Protágoras, Górgias e Isócrates, os quais viveram respectivamente, nos anos de 481-420; 483-376 e 436-338 antes de Cristo.
       Conforme a opinião do insigne Professor Marcos Alfredo Corrêa, no artigo por ele denominado de A EDUCAÇÃO NA GRÉCIA ANTIGA, foram os gregos que criaram na antiguidade clássica “as primeiras teorias educacionais”, cumprindo observar que a cultura e o lugar ocupado pelo cidadão na sociedade, “reflete-se no ensino e nas próprias teorias”.   
       Paidéia, no grego antigo, tratava do sistema de educação e formação ética da Grécia antiga incluindo-se nesta forma de saber, diversas disciplinas, entre as quais: ginástica, gramática, retórica, música, matemática, geografia, história natural e filosofia, com o propósito de formar um cidadão perfeito. O autor em alusão observa que esse conceito veio à tona ainda “nos tempos homéricos e permaneceu em sua essência inalterado ao longo dos séculos“. O autor em epígrafe lembra que a partir do surgimento do cristianismo, os primeiros Padres da Igreja Católica acolheram esses métodos educacionais, adaptando-os à Igreja de Cristo, “colocando a teologia como base da educação cristã”. (Idem, ibidem).
      Com o passar dos séculos, o estudo da Retórica possibilitou a formação, tanto dos oradores, quanto dos escritores, “os quais foram capazes de fazer crer na mensagem que desejavam transmitir suportando-se através do logos, do pathos e do ethos. Logos, que inicialmente significava o Verbo, ganhou com os gregos a significação de razão. Pathos é uma palavra grega que denomina a paixão. E Ethos tem origem na palavra ética e representa o caráter do interlocutor.” (Idem, ibidem).
      Segundo a mesma fonte, a Retórica se utilizou das mais diversas ferramentas buscando a validação “da linguagem no que se refere a alcançar seus objetivos”. Em assim sendo, a preparação, quanto da “elaboração do discurso está envolta pela invenção, pela organização do conteúdo, pela expressão adequada, pela memorização e declamação”, ressaltando-se que a oralidade, bem assim a escrita, “não são as únicas vias de expressão da Retórica, ela também está presente quer na música, quanto na pintura e na publicidade, por exemplo”, sem se descurar que deve haver uma consonância quer de voz e também de gestos com o conteúdo do discurso.(Apud http://www.persuasao.com/).http://afilosofia.no.sapo.pt/11filosret.htm).                                                                                                                           
Ao mesmo tempo que é uma arte, a Retórica é também uma Ciência, pois fornece métodos para elaborar um discurso estruturado. Inicialmente, dedicava-se do discurso falado. Com o tempo, foi aplicada à linguagem escrita. É chamada, atualmente, de estilística aplicada aos textos literários. “Mas a oralidade e a escrita não são as únicas vias de expressão da Retórica, ela também está presente na música, na pintura e na publicidade, por exemplo.” Idem, ibidem.
Demóstenes, considerado o maior de todos os retóricos, nasceu na Grécia no ano de 384 antes de Cristo e faleceu em 322 a.C. Não obstante gago, venceu a doença treinando diuturnamente à beira mar, colocando pedrinhas debaixo da língua com o propósito firme e deliberado de afastar o seu infortúnio e por força de sua perseverança se tornou, segundo os seus biógrafos, o mais brilhante dentre os retóricos de seu tempo. (Extraído da Biografia constante da Enciclopédia Wikipédia).
Ainda criança perdeu o pai, além da maior parte de sua herança, vítima de seus tutores. Buscou a Justiça e conseguiu reaver parcela considerável de sua fortuna. Teve como paradigma um dos grandes mestres da Retórica de nome Calístrato, o qual, não obstante defender uma causa deveras difícil, acabou obtendo êxito, donde, repita-se, o entusiasmo do futuro e prodigioso orador.
Segundo os seus biógrafos,  de ontem e de hoje, Demóstenes não foi tão-só um notável político, como também um extraordinário orador, justamente na Defesa de Atenas, cuja cidade Estado via-se diuturnamente ameaçada pelos exércitos de Filipe II da Macedônia, daí os inúmeros discursos denominados de Filípicas, os quais objetivavam “conclamar os cidadãos atenienses e arregimentar forças contra a Macedônia antes que fosse tarde demais”. (Idem, Ibidem).
No ano de 338 a.C Demóstenes esteve presente na batalha de Queronéia e lastimavelmente Atenas foi derrotada pelos exércitos da Macedônia, marcando o início do domínio de Filipe e mais tarde de Alexandre, o Grande sobre a Grécia. No ano 335 a.C, “Demóstenes vê decair tanto sua reputação quanto a sua influência. Chegou mesmo a ser condenado por ter se deixado comprar por um ministro de Alexandre e facilitar sua fuga de Atenas. Foi preso mas acabou por conseguir fugir, exilando-se da sua gloriosa Atenas por longo período.
Depois da morte de Alexandre da Macedônia, em 323 antes de Cristo, “Demóstenes é chamado de volta e, como era natural, retoma suas atividades. Alia-se, então, à revolta contra Antípatro. Tendo falhado tal revolta, Antípatro exige a entrega dos chefes revoltosos. Demóstenes foge para o templo de Poseidon na ilha grega de Caláuria. Quando percebe que está cercado pelos soldados do seu desafeto, optou por  praticar o suicídio.
Marco Túlio Cícero nasceu no dia 13 de janeiro do ano 106 a.C em Arpino na Itália e morreu assassinado a 7 de dezembro de 43 antes da era cristã, na cidade de Formia. Recebeu de seu pai segundo os seus biógrafos, esmerada educação, tendo como Mestres os maiores oradores e jurisconsultos de sua época, daí a sua formação de Estadista, orador e filósofo romano. (Biografia extraída da Uol Educação, via internet).
Conforme a mesma fonte, o seu primeiro triunfo ocorreu no Fórum de Roma, no ano 80 a.C, ao defender Sextio Róscio Amerino, justamente num processo que teve notável importância política. O fato de ter conseguido a absolvição do réu o fez inimigo do ditador Sila. Esta vitória acabou obrigando Cícero a ir para a Grécia, obviamente a fim de escapar da vingança do seu desafeto, onde teve a oportunidade de se dedicar ao estudo da filosofia. Retornando a Roma já depois da morte de Sila, foi recebido por seus amigos e simpatizantes, tendo granjeado junto à Sociedade romana grande prestígio.
Precisamente no ano 76 antes da era Cristã foi eleito questor, a fim de servir na Sicília, “fazendo-se respeitar pelo povo como um administrador justo. Sua reputação cresceu em 70 a.C., com a acusação ao ex-governador da Sicília, Caio Licínio Verres, por extorsões. Pouco tempo depois foi eleito edil (69 a.C.) e pretor (66 a.C.).”
Na qualidade de pretor, Cícero pronunciou o seu primeiro discurso político e houve por bem reivindicar para o seu amigo Pompeu, justamente o comando das tropas romanas, contando com o apoio dos "optimates", vale dizer “elementos conservadores do Senado”. Em 63 a.C foi eleito cônsul, obtendo duas importantes vitórias, a saber: defende exitosamente  “o senador Caio Rabírio contra a acusação de traição lançada por Júlio César, e denuncia a conspiração do anarquista Catilina, pronunciando as quatro célebres Catilinárias.”
“Quo usque tandem abutere, Catilina, patientia nostra? (01) Quam diu etiam furor iste tuus eludet?(02) Quem ad finem sese effrenata iactabit audacia? (03)  - (01) Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? (02) Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós? (03)A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia”.
Mesmo sabendo que Caio Júlio César não concordaria com a morte dos conspiradores sem julgamento, obteve aprovação. A ameaça de Catilina havia unido todos os conservadores, e Cícero, no auge da sua carreira, aclamado como salvador da república, pretende estabelecer a política do "acordo entre as classes". (Idem, ibidem).
Cícero, com o propósito de fustigar César, “necessitava de forte apoio político e pensou encontrá-lo na pessoa de Pompeu”, todavia este já fora convidado para participar do primeiro triunvirato, composto por César, Crasso e o próprio, uma vez permitida a eleição de Clódio, inimigo político de Cícero para o tribunato, ameaçado por Clódio, que substituíu Júlio César em Roma durante a guerra na Gália, Cícero tratou de exilar-se.
Um ano de exílio, pouco mais ou menos, Cícero, retorna à Cidade de Roma, sendo avisado para não criar problemas, tendo evitado compromissos políticos, dedicando-se à literatura. “O assassinato de Clódio deu-lhe oportunidade de defender o criminoso, mas, “tendo que se submeter às novas regras processuais, não conseguiu ler o elaborado discurso que havia preparado, o que provocou a condenação do réu Milone.”
No ano seguinte, Cícero foi designado como pro cônsul, para o governo da Cilícia. Ao regressar, no final do ano 50 a.C., encontra Roma mergulhada na guerra civil entre as tropas de Pompeu e César. Ligado ao primeiro, abandonou-o, contudo, após a derrota de Farsália, mas, tornando-se suspeito tanto aos olhos dos vencidos como aos dos vencedores, teve de esperar pelo perdão de César para voltar a Roma.
Para se entender a organização do governo em Roma, creio ser de fundamental importância a leitura de um interessante texto, escrito pelo historiador grego Políbio, o qual foi testemunha ocular da vida na república romana.
“Cícero teve um caráter indeciso, além de exagerada vaidade, e cometeu numerosos erros políticos. Sempre subestimou seus oponentes e exagerou as virtudes dos amigos. Parecia não compreender a debilidade fundamental da administração da república romana: ausência de mecanismos asseguradores da lei e da ordem e o controle dos exércitos. Mas sua honestidade, patriotismo e dons intelectuais são realmente incontestáveis. De temperamento moderado e oportunista, soube mostrar grande energia ao debelar a conspiração de Catilina e opor-se a Marco Antônio, já no final de sua vida.”
Filósofo de indiscutível intelectualidade e de não menos grandeza. Obrigado a aceitar os anos de ócio forçado pela ditadura, produziu verdadeira biblioteca de escritos filosóficos. Como filósofo, Cícero foi eclético, divulgador do pensamento grego. A ele, dizem os seus biógrafos, devemos o conhecimento de muitas doutrinas que, de outro modo, estariam perdidas. Dotou, primeiro Roma, depois a Europa, de um vocabulário filosófico. Conceitos como "qualidade", "individual", "indução", "elemento", "definição", "noção", "infinidade", etc... foram por ele introduzidos na língua latina.
A maior parte de seus trabalhos filosóficos foi escrita entre os anos 45 e 44 antes de Cristo. Anteriores a essa data são: "Sobre a república" e "Sobre as leis", em que tenta interpretar a história romana em termos da teoria política grega. Outras obras são: "Sobre a consolação" e "Sobre os objetivos da ética", exposição e refutação do epicurismo e do estoicismo; "Discussões em Túsculo", diálogos sobre a dor, a morte e a virtude; "Sobre a natureza dos deuses", "Catão o velho ou sobre a velhice", "Sobre a adivinhação", "Sobre a amizade" e "Sobre Otávio, no entanto, vencedor na guerra, constitui com Marco Antônio e Lépido o segundo triunvirato. Seguem-se as execuções dos oposicionistas, e Cícero é um dos primeiros a ser morto, justamente em dezembro de 43. Sua cabeça e suas mãos foram decepadas e em seguida expostas ao povo nas tribunas dos oradores no fórum romano.
Representante da latinidade clássica, Cícero teve através dos séculos uma influência enorme. Na Idade Média - e até o século XVIII - os homens verdadeiramente cultos da Europa inteira falaram e escreveram a língua de Marco Túlio Cícero, que, quando não precisa de efeitos retumbantes - como nas cartas particulares  tem estilo elegante e coloquial. 
Sob a égide de Cícero criou-se o tipo do "homem de letras": sob esse aspecto, sua inconstância política é a do intelectual, inconformado com a disciplina partidária e por isso sempre alvo de apreciações divergentes. Algumas de suas obras nos deram grande parte do atual conhecimento da filosofia grega, enquanto outras influenciaram profundamente a ética cristã e a moral leiga moderna, pela sua compreensiva sabedoria humana. Não foi sem razão o elogio de Federico Engels:
“O povo grego contribuiu de tal forma para a grandeza do Mundo Ocidental, que outro jamais poderá pretender o seu lugar na História”.                                       
O notável filósofo e escritor grego Plutarco, escreveu uma instigante biografia sobre Marco Túlio Cícero, cujo historiador certamente o incluiu entre os seus Varões. 
                                         Resta-me agora agradecer o comparecimento dos meus familiares, dos notáveis integrantes desta Academia Cearense de Retórica, quanto das demais congêneres, bem como dos meus diletos amigos, de ontem, de hoje e de sempre.
Muito obrigado.